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29/11/2018
Especialista aponta caminhos para investimento em energia fotovoltaica

José Zloccowick é especialista em Energia e Mudanças Climáticas, com MBA em Gestão Estratégica de Carbono pela University of East Anglia, da Inglaterra. Zloccowick atuou como consultor na área de energia para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e para o Tribunal de Contas da União (TCU), e como especialista em planejamento estratégico do grupo Energisa, além de ter prestado consultoria a empresas britânicas na área de eficiência energética e biomateriais.

Segundo dados apresentados pelo especialista, o potencial brasileiro de produção de energia fotovoltaica é imenso, podendo aumentar cerca de 30 vezes até 2027. Confira, nesta entrevista, o que ele fala sobre o cenário da matriz energética do país, obstáculos, etapas de implantação e como uma cooperativa pode investir na geração distribuída de energia fotovoltaica.

O que é energia fotovoltaica? Qual é o potencial brasileiro de produção desse tipo de energia?

Energia Fotovoltaica é aquela obtida através da conversão direta da luz em eletricidade. Em uma projeção conservadora, seria possível produzir, por meio de painéis fotovoltaicos, energia equivalente a duas vezes o consumo residencial do Brasil, apenas cobrindo os 3,9 bilhões de m² de telhados disponíveis no país. Considerando uma análise mais econômica, o Plano de Expansão de Energia (PDE) brasileiro estima que, em 2027, a geração de energia solar aumente cerca de 30 vezes em relação ao ano de 2017.

Qual é a participação da energia fotovoltaica na matriz energética brasileira? E quais os principais obstáculos para o crescimento da produção de energia fotovoltaica no Brasil?

Apesar da grande perspectiva de crescimento do setor, apenas 0,1% de toda a eletricidade gerada em 2017 foi proveniente da fonte solar, segundo o Balanço Energético Nacional. Condições adequadas de financiamento, tributação sobre usinas de geração compartilhada e excessiva valorização de retornos no curto prazo são alguns dos fatores que limitam seu crescimento no Brasil. No entanto, o cenário está melhorando. Recentemente o BNDES anunciou a dotação de R$ 2 bilhões para a linha Finame Energia Renovável, que permite financiamento de até 100% do total a ser aplicado nos equipamentos, com prazos de até 10 anos para pagamento e carência de até 24 meses.

Quais as etapas da implantação de um sistema fotovoltaico?

Como toda usina de geração, um sistema fotovoltaico possui etapas de projeto e execução. Na geração distribuída é necessária atenção especial quanto à relação com a distribuidora. Elaborado o projeto técnico, é preciso solicitar à distribuidora um parecer de acesso à rede. Concedido o acesso, o consumidor tem 120 dias para fazer a instalação da usina e solicitar a vistoria que deve ser feita em até sete dias. Estando a usina em conformidade com o projeto apresentado, a distribuidora instalará o medidor bidirecional e iniciará o sistema de compensação.

Como as cooperativas podem atuar na geração distribuída de energia fotovoltaica? Atualmente, qual a participação das cooperativas na geração distribuída de energia fotovoltaica?

Os cooperados podem se reunir para criar uma usina fotovoltaica e gerar energia para ser consumida tanto nas áreas comuns da cooperativa quanto nas residências e propriedades dos cooperados, desde que na mesma área de distribuição da concessionária. No caso de Minas, a Cemig. Tanto a constituição de novas cooperativas com o fim exclusivo de gerar energia quanto a adequação do estatuto de cooperativas já existentes, de qualquer ramo, para ingressar no sistema de geração distribuída, são possíveis. Atualmente, existem oito cooperativas constituídas exclusivamente para a geração de energia e que, somadas às demais 108 cooperativas com usinas geradoras, correspondem a mais da metade de toda a capacidade de geração distribuída na modalidade compartilhada no Brasil.

Qual é o passo a passo para a constituição de uma cooperativa de geração distribuída?

No caso de uma nova cooperativa é necessário a reunião do grupo, a realização de estudo de viabilidade e plano de negócios, a estruturação e definição de regras e governança, a fundação da cooperativa e, finalmente, a formalização perante as instituições pertinentes. Recomenda-se que todo esse caminho seja realizado com apoio da unidade estadual da OCB. Na etapa de análise do plano de viabilidade, a contratação de uma empresa para fornecer os serviços e equipamentos de um gerador fotovoltaico deve ser realizada de forma criteriosa, uma vez que a usina deve funcionar por, no mínimo, 25 anos. Desta forma, utilizar apenas o critério preço pode resultar em mau desempenho durante a construção do gerador, comprometendo a economia esperada.

Quais os modelos de negócios possíveis para as cooperativas de geração distribuída?

A cooperativa de geração distribuída pode assumir diferentes modelos de funcionamento em função dos interesses dos cooperados. No modelo de recursos próprios, os cooperados investem capital próprio para construir a usina fotovoltaica e se beneficiam de toda a economia produzida pelo gerador. Já no modelo de financiamento externo, os cooperados precisam utilizar parte da economia gerada pela usina para pagar o financiamento. Finalmente, no modelo de locação do gerador, os cooperados pagam mensalmente um valor ao locador que, preferencialmente, deve ser menor do que a economia na conta de energia. Neste caso, os períodos de locação normalmente são superiores a 10 anos.

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